sábado, março 06, 2010

CABO - Cabine Associada & Bem Organizada

A CABO era a associação que defendia o pessoal que trabalhava na cabine das camionetes.
Tinha sempre sido um exemplo de como negociar com a classe dirigente, tendo conseguido ao longo dos anos inúmeras regalias.
Muitas delas, por vezes a reboque da UPA, mas a verdade é que iam singrando.
Normalmente o que a UPA conseguia com esforço e à troca de qualquer coisa, a CABO conseguia por osmose.
Mérito próprio apenas.
No entanto durante os últimos 6 anos a CABO tinha estado na mão de uma rapaziada malandreca.
Outrora defensores da plebe rude, ultimamente pareciam convencidos.
Convencidos que a LUZ era o caminho.
Mais uma vez a famigerada Luz.
Iam negociando algumas coisas, mas portavam-se mal, muito mal em certas situações.
Andavam vendidos, diziam as más-línguas.
O que é certo é que o mal estar era grande.
As pessoas andavam descontentes.
Num exemplo de malandrice, tinham aceite que a rapaziada que se iniciava nas lides, passasse a entrar pela sub-cave e não pelo R/c como acontecia até então.
Muito bonito...
Deste modo os contemplados tinham mais tempo livre para passear no parque, actividade ainda gratuita, ao invés de se passearem pelos shoppings da moda e supermercados, onde a qualidade do ar é reconhecidamente pior.
Zelavam pela saúde da meninada e não eram compreendidos. Uma injustiça.
No caso do acordo vital que estaria a ser negociado com a classe dirigente, a situação foi diferente.
Com a coisa bem encaminhada, eis que resolvem trocar a incerteza de um tesouro a médio prazo por algumas migalhas hoje.
Sai um dinheirinho que já ninguém esperava que o pessoal com um banho de loja alivia a pressão.
Este já cá canta, a baianada fica contente hoje, e amanhã quem cá estiver que se amanhe.
Sintomático.
No caso dos revoltosos cibernáuticos que incluía algum pessoal da CABO, tinha sido elucidativo.
Inicialmente que sim, estavam com eles, afinal a vida privada era a vida privada.
Depois de uns telefonemas superiores, pois e tal, realmente o problema da equação, sem perder de vista o factor limitativo de que e ainda....
Nem respostas às cartas.
Palavras para quê?
Agora chegara a hora da verdade.
A CABO teria eleições dentro de pouco tempo e a democracia teria a sua vez.
Quem sairia vencedor desta contenda era a questão.
Os que falam, falam e depois ai, ai, ai, ou os que têm coragem de vencer?
De um lado a continuação do estado de coisas, do outro a mudança.
Os descontentes diziam à boca cheia que queriam a mudança, mas tinham medo da inexperiência dos que a personificavam.
Chamberlain era experiente quando negociou com Hitler aquilo que apelidou de uma paz duradoura.
Ofereceu de bandeja a Checoslováquia, acreditando que seria a última exigência do bigodes.
Foi recebido em Londres com urras e vivas.
Passado pouco tempo tinha as suas cidades fustigadas por bombardeamentos certeiros.
Já Churchill era inexperiente quando assumiu funções e venceu a guerra, legado do seu antecessor, o tal da paz duradoura.
Churchill nunca se rendeu, nunca se vendeu.
Pediu suor, lágrimas e determinação.
No momento certo as teve e venceu.
O momento está a chegar.

sexta-feira, março 05, 2010

Ética - A nova ordem Mundial

Ética - O que é bom para o indivíduo e para a sociedade.
Estabelece sem força de lei a natureza de deveres no relacionamento indivíduo/sociedade.
Pegando nisto a CACA-OI resolveu e bem, dar início à sua formação neste campo.
Ora quem vamos escolher para a primeira acção de enquadramento, pensaram.
Não foi difícil, pois havia vários casos graves que teriam de ser sanados e enquadrados.
É verdade. A maldade andava ao rubro.
O primeiro era um caso de óbvia solução e consistia no seguinte.
Um rapaz de toques aristocráticos, estando por terras de Vera Cruz, num tempo de descanso entre viagens, olha-se ao espelho e percebe que está com o guarda-roupa desadequado.
Que fazer pensou, já sei, a solução é óbvia.
Vou até ao Centro de Moda e toca de comprar umas roupitas mais coloridas, que isto do calor muda-nos os gostos.
Quais sapatos de vela, quais Polos do crocodilo, quero é camisas amarelas e cordões de cabedal.
Se assim pensou, melhor o fez e munido de cartão de crédito eis que se passeia alegremente pelas lojas, passando freneticamente o dito plástico pelas ranhuras das maquinetas, para alegria geral dos lojistas, que isto de trabalhar à comissão requer muita ginástica.
Havia porem um pequeno senão.
Tendo-se esquecido da carteira na Pátria Lusa, não se fez rogado e fazendo orelhas moucas da velha máxima, "No money - No funny", eis que leva emprestado o cartão alheio.
Esqueceu-se foi de pedir ao dono.
Coisas que acontecem devido aos fusos horários. Normal.
O proprietário ao dar pela marosca, com a ajuda de um amigo vai de pedir gravações de segurança e eis que descobre o nosso amigo, qual shopaholic, num nirvana sem fim.
Detectada a coisa, faz-se o relato às autoridades competentes, bem como aos Druidas da CACA-OI.
Não havia nada a fazer, a CACA protege os seus, ainda mais quando se descobre que haveria fortes possibilidades do rapaz vir a conhecer por dentro os estabelecimentos de correcção indígenas.
Passa-se o rapaz para a camionagem ligeira, que não é nenhum bandido, e resolve-se assim o assunto até à marcação do curso.
Afixou-se em edital e a vida continuou.
O segundo caso era mais engraçado.
Um rapaz, alto, boa pinta, conversa mole, é raptado na noite insular.
Tocam as sirenes, não apareceu de manhã onde era esperado.
Tragédia diziam uns, foi deitado ao mar, que é esse o destino dos incautos e a bandidagem anda doida diziam outros.
A mulher, qual carpideira desesperada, apresenta-se de luto e chorosa, filhos a tira-colo e a dor da perda.
Os periódicos regionais param as rotativas. Primeira página.
Que tragédia, é o mundo em que vivemos, o respeito pela vida foi-se.
Uns culpavam a crise, outros a globalização do crime, outros a sociedade.
Num milagre, só comparável às aparições da Virgem, eis que o nosso amigo reaparece.
Qual D. Sebastião renascido, conta ter estado cativo por bandidos, daqueles dos filmes do Tarantino. Muito maus mesmo.
As autoridades não dormem e após algumas diligencias, descobrem vídeos de segurança, maldita sociedade de informação, e identificam os raptores.
Ou melhor, a raptora.
Vai-se a ver, rapariga saudável, de seios fartos e cabelos longos, que em nada indiciava as práticas da bandidagem.
Como prova da sua bandidice desmesurada, teve o desplante de manter o nosso amigo cativo num motel de terceira categoria.
Um nojo, ele que habituado estava a hotéis de bom nível, com Wc espelhados, camas grandes, Tv cabo e canais internacionais.
Viu-se aí a maldade da raptora, mas tudo estava bem pois o nosso herói tinha conseguido livrar-se das suas garras maléficas.
Old habits die hard e passado uns tempos, eis que volta a cair nas mãos de bandidos e a situação repete-se.
Passou a ser visto como um incauto, pois raptado uma vez ainda vá, mas duas é burrice.
Teve que ser marcado curso, que no seu caso incluiria sem dúvida lições de auto-defesa que isto na CACA não se brinca.
O terceiro caso era mais melindroso.
Uma rapariga problemática, com baixa auto-estima dedicava-se a procurar nas carteiras alheias a tão almejada paz interior.
As colegas levavam a mal e não entendiam esta sua busca do zen.
Gente de visão curta.
Além do mais, via-se desde à muito que consumia um xarope para a tosse que tomado em excesso causava alguns danos a prazo.
A CACA sabia, todos sabiam, mas enquanto o xarope não der confusão, vai andando.
Deu.
A CACA mandou-a a um centro em que iam aos poucos substituindo o xarope por outro do mesmo sabor, mas com receita médica.
Durou enquanto durou...
Sendo assim, mais uma candidata para o curso e a esta vai-se ensinar que xarope em excesso faz mal.
Os leitores já terão reparado na escolha repetida de 3 casos para relatar, deixando muitos outros de fora.
Tal deve-se apenas a questões de dinâmica e de espaço editorial.
Coisas de Autor.
Mas, voltando aos casos citados.
Um deles, enfim, acabou por desistir da vida de camionagem e dedicou-se às telecomunicações, tal não fosse, estaria decerto entre os contemplados.
Os outros dois acabaram por ser nomeados para a acção de enquadramento, pois a CACA tinha bem definidos os critérios de escolha dos participantes.
Ou não?

quinta-feira, março 04, 2010

Agradecimento

Os autores gostariam de assinalar o número crescente de visitas a este blogue.
Esta semana tivemos mais de 1000 visitantes.
Reparamos igualmente que ninguém deixa comentários, o que não deixa de ser interessante.
Perante isso, introduzimos a opção de anonimato nos comentários.
Assim, apenas terão que clicar e escrever o que vos for na alma.
Iremos fazer um esforço acrescido de criação de textos e tentar manter a regularidade possível, dentro das coisas engraçadas que haja para contar.
Por vezes faltam ideias, mas mensagens com sugestões serão bem-vindas e tratadas com a máxima discrição.
Será igualmente incluído na barra lateral, uma sondagem Mensal.
A vossa participação é muito bem-vinda e os 2 segundos que gastarem a votar, ajudará muito no nosso trabalho futuro.
Mais uma vez, o nosso Agradecimento a todos os Amigos ouvintes.

terça-feira, março 02, 2010

A Mina dos 7 Anões

Hoje para deleite da pequenada, trago-vos uma História infantil sobejamente conhecida mas adaptada à realidade dos tempos que correm.
Eram 7 os anões, compostos por ordem decrescente de importância da seguinte forma.
Mestre, Zangado, Soneca, Dengoso, Atchim, Feliz e um rapaz que ninguêm sabia muito bem o que lá fazia e toda a gente tratava por Dunga.
Juntos eram imbatíveis.
Trabalhavam na mina diariamente e recompensavam com pedras brilhantes aqueles que os apoiavam na sua luta por um mundo melhor.
As pedras não tinham grande valor é certo, mas brilhavam e enquanto a rapaziada não der conta, vamos comendo o filé que isto de carne dura já não é pra nós.
Iam cantando e rindo e o resto ia sendo levado.
Aiô, Aiô, pra mina agora eu vou, Aiô, Aiô, Aiô, pra mina agora eu vou...
A mina era do povo, mas já se sabe que nisto das gestões, a iniciativa privada leva vantagem e como tal, reconhecendo as suas incapacidades, o povo resolveu contratar uma rapaziada batida na mineiragem pra assegurar o fluxo de pedras.
Esses rapazes, com carta branca a prazo, tinham feito várias experiências com outros anões mas finalmente tinham encontrado nestes a linha da frente tão necessária à sua sobrevivência.
Se podes ter um airbag que ampare a porrada, bater de frente contra um muro num mini dos antigos é pra malucos.
E assim construíram o seu airbag.
Firmaram um acordo.
A prospecção ficava na mão dos pequenitos que poderiam tirar algumas pedras para si, mas em contrapartida os anões garantiam que ninguém tentaria tomar a mina de assalto.
Que pedras bonitas, pensaram eles.
E brilham tanto, que bom termos sido nós os escolhidos.
Havia no entanto um senão.
O resto da rapaziada andava com maus fígados.
Devia ser dos fusos horários e da falta de pedras brilhantes.
O estômago fica com aquela azia.
A vida na vila encarecia a cada dia e pedras, só havia para alguns.
Os anões andavam apreensivos, querem as nossas pedras brilhantes, estes malandros.
À que unir esforços e começar a tranquilizar as hostes de bárbaros.
Mostrar-lhes qual é o caminho e se não quiserem compreender duma maneira, terá que ser na chibata.
Pensaram num plano, iriam criar Historias paralelas, coisas pequenas a que se dariam importância e enquanto houvesse fumo em cortina o incêndio estaria controlado.
No entanto além dos problemas externos havia igualmente que gerir a cobiça próxima, sim que isto de conviver de perto com pedras brilhantes, desperta sentimentos.
O Mestre era um bom Homem, mas sentava-se numa cadeira de veludo canelado, muito bonita, toda decorada com incrustações douradas. Um mimo.
Inteligentissimo, o Zangado sonhava com aquele veludo e embora soubesse que o seu tempo viria, tinha que preparar bem o terreno, não fosse alguém lembrar-se do mesmo e os Lobbistas (Grupo semelhante ao dos Compostinhos, mas pertencentes todos à mesma casta, e a que voltaremos no futuro) estavam à espreita.
Tenho de arranjar um anão fiel pensou, um que seja ambicioso e que ao mesmo tempo tenha penetração junto da rapaziada.
O Dengoso era a solução óbvia, pois tinha aquela matreirice simpática que a todos conquistava.
Era de abraço fácil.
Assim, aproveitando a saída do anão Capataz, que andava descontente com o rumo da mineiragem, eis que surge a oportunidade.
Havia várias escolhas para o lugar de capataz da mina, algumas menores é certo, mas no fim resumiu-se tudo a duas.
A candidatura vencedora, não era a escolha do Mestre que teria preferido uma escolha mais aristocrática, de uma linhagem mais Habsburgiana , mas viu-se aí o poder oculto do Zangado.
Qual Richelieu, convenceu o Mestre sobre as capacidades do Dengoso e num passe de mágica, tomem lá novo Capataz.
Com este ajudante, o veludo canelado seria uma questão de tempo.
Tão bonita aquela cadeira.
Quando o Mestre caísse, Zangado assumiria o cargo, deixando o seu para Dengoso.
O Soneca, seria ultrapassado pela direita, sem pisca e continuaria o terceiro elemento.
Tudo estava pensado. Tudo corria bem, os Lobbistas estavam controlados.
A vida de atchim era mais calma, dedicando-se a manter o nível de sapiência dos mineiros em geral mas não nutria de grande fama entre a rapaziada.
Vivia um pouco à margem destas lutas.
Continuaria a ter pedras bonitas e isso bastava-lhe.
Organizava os cursos de mineiragem e tratava que todos usassem as picaretas da mesma maneira. Sincronizadinhos.
E já não era pouco.
O Feliz era um caso diferente.
Tinha uma relação muita próxima com as pedras brilhantes.
Gostava muito delas.
Sempre tinha estado ligado ao ensino da mineiragem, mas com alguns revezes.
Uns tempos antes, um anão expatriado tinha tomado o lugar que sempre sonhara.
O seu lugar, de direito.
Foi sol de pouca dura.
Reuniu os outros anões ligados à arte da mineiragem sincronizada e delineou a coisa.
Um a um, os sincronizados foram abandonando a mina.
Ao fim de um tempo o anão expatriado tinha a mina virada do avesso.
As picaretas batiam uma pra cada lado, como se de um 127 a 3 cilindros se tratasse. Reviu-se a coisa e o expatriado lá foi de volta para o seu lugar. (Caso que igualmente trataremos em detalhe no futuro)
E era assim a vida da mina, todos a quererem pedras brilhantes e só alguns a conseguirem.
Ah é verdade, o Dunga perguntam vocês.
Já me ia esquecendo.
Bom o Dunga, o Dunga, que dizer sobre o Dunga.
O Dunga é hoje um e amanhã outro, são muitos.
Pois, sobre o Dunga é isso...
KONIEC

domingo, fevereiro 21, 2010

Os Revoltosos Cibernauticos

Num dia de Setembro eis que se abate um drama sem precedentes na CACA-OI.
And it goes like this...
Um condutor que regressava das suas férias, entra na Camionete e depara-se com um cenário manhoso.
Os condutores principais, gente acima de qualquer suspeita, não querendo a sua companhia na cabine, mandam-no fazer a viagem na caixa aberta da camionete.
O Condutor não estranhou, pois eram conhecidas situações semelhantes na camionagem pesada e os condutores em causa já tinham provas dadas no passado.
Um deles, negociante astuto, detentor de inúmeros negócios era conhecido pela cortesia e educação, que punha em todas as suas acções.
O outro, raposa velha, nunca tinha deixado os seus créditos por mãos alheias.
Sendo um entusiasta de longas jornadas laborais, tinha no passado sido o grande impulsionador duma linha de transporte das camionetas que de forma rápida unia 2 cidades basilares do império Austro-Germânico.
Ao entrar na camionete, qual linha Bombaim-Carachi, tudo havia, desde índios, canzoada, gente com sacos de fruta, ovelhas e até borregos.
O nosso amigo não estranhou, pois por vezes a barateza da coisa não se compadecia com conforto.
Mas eis que, são chamados à cabine principal 2 rapazolas distintos que nada tinham de familiar.
Ui, esquemas, já topei, pensou o nosso Condutor.
Aqui a historia divide-se.
Uma versão diz que os rapazolas eram amigos de longa data dos Condutores e que juntos já teriam partilhado tropelias mil.
A outra versão, garante que um dos rapazolas nem sequer o nome do condutor sabia umas horas antes e que tinha sido apresentado por terceiros.
O que importa é o que veio a seguir.
O condutor incomodado pelo fim das férias, eis que resolve ter uma conversa indiscreta numa mesa de café.
Estava danado ele.
Os amigos em plena cavaqueira apoiam-no e dizem que realmente não há nada a fazer, só à bofetada é que a coisa ia e tal, enfim, um arranca-rabo.
Ingénuos, julgavam estarem a salvo de ouvidos indiscretos.
Puro engano.
Um amigo que presenciara a dita conversa, ao chegar a casa e vendo-se invadido pela inocuidade da sua vida sexual pensa, vou fecunda-los.
Se assim o pensou melhor o fez e sem demora trata de dar eco da converseta aos visados.
Estes não se ficam e tentam uma jogada de limpeza da coisa, argumentando que era mentira, que nunca fariam nada de parecido.
Afinal eles tinham provas dadas no campo da cortesia.
A partir daí, qual circo Cardinalli a coisa nunca mais parou, e houve de tudo, anões, cavalos, mulheres barbudas e palhaços.
Devido às implicações da coisa os chefes da CACA chamam o condutor que explica a situação, que era uma conversa de amigos e que não queria confusão.
Perante o exposto não havia outra solução dizem os chefes.
Os visados eram gente influente de modo que teria de haver lugar a chicotada pública e para que a coisa se sanasse o condutor prometeria não andar durante uns tempos nas camionetes, que não fosse com a intenção de produzir riqueza.
Nem pensar diz o nosso Major Alvega e eis que segue para a UPA-LA onde foi encontrar algum apoio.
Os chefes da UPA não achavam bem aquelas conversas de café, mas reconheciam a coisa como um fait-divers e achavam que não havia lugar a reprimendas.
Se o circo estava mau, pior ficou.
Os Compostinhos, Grupo a que voltaremos no futuro, indignaram-se.
Faça-se qualquer coisa que isto assim não fica.
Primeira acção de campanha, edite-se já uma lista com os nomes da rapaziada envolvida e quando eles quiserem andar à boleia, vão na carris e já gozam.
Mas isso não chega gritou um.
Então espera.
Estou a fazer um curso por correspondência que me está a custar uma nota.
Que saudades da telescola.
Tenho direito a tirar 2 dúvidas por semana, de modo que vou perguntar a um entendido que sabe destas coisas, já que pago usufruo, que isto de diplomas ao Domingo não é só pro Primeiro.
Vinda a resposta, não havia dúvidas, era a pior coisa que tinha acontecido nos últimos 50 anos, a CACA vai fechar de modo que há que pôr a circular o veredicto fatal.
Mesmo assim não chega gritavam outros.
Já sei, fala com um dos visados, aquele que é accionista da tabaqueira nacional e convence-o a tratar da coisa à séria para esta rapaziada tremer.
Assim o fizeram mas a rapaziada não tremeu, acharam graça e ripostaram ainda por cima.
Isto é um deboche diziam os Compostinhos e não tendo opção, viraram-se para as artes do ocultismo onde finalmente lograram os seus intentos.
Galinha preta na encruzilhada, sapos vivos e muitas rezas depois eis que sem saber nem como nem porquê é criado à pressa uma acção de enquadramento que por coincidência incluía a malta que tinha estado no café naquele dia.
Só podia ser magia. E da negra.
A revolta era grande, as aguas dividiam-se qual Moisés de cajado no mar vermelho.
Os revoltosos estavam danados pois achavam uma ingerência na sua vida pessoal.
Querendo dar ênfase à coisa e uma vez que o processo legal não parecia de feição, eis que o visado faz chegar aos periódicos nacionais a saga da coisa.
Parou o País.
Afinal perante a conjuntura actual nada melhor que uma guerra de alcoviteiras pra entreter a populaça.
Esses malandros, ganham fortunas, dormem em hotéis fabulosos, sempre acompanhados de beldades estonteantes, comem caviar, vidas sexuais de sonho e ainda urinam fora do receptáculo.
Nem pensar, liberdade de expressão sim, mas com juizinho, afinal não andámos aqui a aturar o Botas 40 anos para agora estragarem tudo.
Enforquem-nos que menos que isso é pra meninas.
Pelo meio a UPA-LA convoca uma reuniãozita em que vários assuntos eram abordados.
Nessa reunião, muito concorrida por sinal viu-se de tudo.
Uns lutaram pela vida, outros pelo direito à informação privilegiada, outros pelas secretárias de 4 pernas, outros pelo direito de expressão, outros pelo emprego, outros pelo futuro, outros pela implantação da prática tão em voga nas arábias da lapidação pública, outros pelo....e ainda pelo....e tb.....
Até que, entre gritos irados e raiva latente, eis que apareceu um ancião que vem dizer que lá em casa dele de vez em quando também achincalhava uns quantos.
Foi um alarde, que não, nunca na vida isso se fez gritavam danados os Compostinhos.
Ficou provado que em 50 anos de vida, os revoltosos tinham sido o primeiro grupo a desdenhar alguém. Estava ali para quem quisesse ver. A Ética da classe era total.
Os revoltosos estavam desorientados e resolveram que a coisa tinha de acabar.
Foram ao palco e lá engoliram o batráquio.
Que não queríamos ofender e tal, estávamos na conversa, era privado.
Algumas salvas de palmas pois o povo gosta é de lágrimas no canto do olho e abraços distribuídos.
E agora, como fica a acção de enquadramento?
E se ficássemos doentes diziam alguns.
A hipótese foi descartada e após várias reuniões lá se decidiu.
Vamos ao tal enquadramento e logo se vê.
Armados de convicções eis que se apresentaram para uma semana de trabalhos forçados no campo de reeducação, qual Cambodja de Pol-Pot.
Os carcereiros, um grupo de Condutores com secretárias de 4 pernas, ficou desconcertado com a união do grupo e com os detalhes contados, e aos poucos lá foi mudando a sua visão do acontecimento.
A coisa correu bem e diz quem lá esteve que as culpas de parte a parte foram reconhecidas.
No fim, regaram tudo num almoço conjunto e ainda houve entregas de camisetas e autocolantes alusivos ao tema, como prova da amizade que une os povos e na esperança de um futuro melhor.
Há quem diga que tudo isto foi positivo pois houve definições de carácter que ninguém estava à espera.
Talvez andassem desatentos.....

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

Carta ao Tom

Aos amigos que me seguem aqui, peço desculpa pelo interregno de 10 meses.
Prometo voltar com mais histórias da camionagem assim as haja.
E pela mostra que o passado recente nos tem dado, haverão com certeza.
Até já

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Até tu Brutus

Titus teria sido o seu nome.
Seu pai, grande entusiasta do antigo império Romano, havia-lhe escolhido essa graça em honra de um antigo imperador, porém sua mãe, católica fervorosa tinha achado pouco.
Que maior nome, que o do primeiro apóstolo seguidor do Messias, pensara ela.
Em nome da harmonia familiar, conjugue-se os dois e não se fala mais nisso.
Petrus Titus ficará.
Rapaz alto e de bom porte, desempenhava as funções de condutor principal na CACA-OI.
Tinha tido uma vida calma até ao ano de 2006, altura em que resolve dedicar-se a aventuras na UPA-LA.
Vou mudar o rumo das coisas, pensou ele.
Juntou-se a uma rapaziada complicada, tudo condutores especializados, e liderados por um outro especialista fizeram aquilo que os especialistas fazem...Especialidades.
Ficaram conhecidos como "Os Alopécios"
A história da ascensão e queda já aqui foi referida, o que importa agora é o que veio a seguir.
Um dia o nosso condutor pega na camionete e faz-se à estrada.
Ao seu lado tinha uma ajudante recém-chegada, mas com uma atitude pouco abonatória.
No passado recente a CACA-OI e a UPA-LA tinham-se envolvido em discussões acesas. Várias coisas os dividiam, nomeadamente os tacógrafos, a qualidade dos colchões de descanso, Aqueles atrás dos posteres e claro, o dinheirinho ao fim do mês.
A condutora-ajudante achando tudo isto disparatado, pensou, a mim ninguém me pára e vai de pegar na camionete e num dia de descanso põe-se a fazer quilómetros e mais quilómetros. Uma fartura.
Os AA não gostaram e ficaram ressentidos.
Vários juraram-lhe uma futura conversa e alguns chegaram a tê-la.
Para azar de Petrus Titus nesse dia calhou-lhe a ele tão selecta ajudante.
Que fazer, pensou Titus, já sei, não a deixo guiar e vou-lhe explicar os prós e contras da sua atitude passada.
Tentou, mas como todos sabemos os Equus Asinus nunca foram bons ouvintes.
No dia seguinte eis que a ajudante resolve ligar ao capataz da camionagem ligeira e relatar-lhe os factos.
Ainda hoje não se sabe bem a cronologia dos acontecimentos, foi a ajudante que se dirigiu ao capataz, terá sido pressionada a relatar, fica o mistério.
Assim como ficou o decreto real:
Chame-se o alópecio, Reúna-se o conselho dos druidas e preparem a moca.
Titus já antevendo o que aí vinha, diz que não, não foi bem assim e tal.
Explica o seu ponto de vista, afinal era condutor especializado vai pra 10 anos e a ajudante tinha 3 meses de camionagem.
Era um seu direito, guiar a camionete sempre que quisesse.
Troca argumentos e sabe que a razão está do seu lado.
Os druidas não queriam ouvir e danados por a sua magia maligna não resultar não vêm outra escolha senão tirar-lhe as chaves da camionete.
Ilegal, gritavam uns, bem feito gritavam outros.
Os condutores deixavam-se levar pelas relações pessoais, não ligando à essência do caso.
A verdade é que depois dessa reunião de druidas, Titus ficou sem chaves e com a vida revirada.
Dias negros, sem dormir, sem comer, sem alegria...
Sem opções, virou-se para a UPA-LA que tentou pôr juízo na cabeça dos druidas.
O juízo teve de ser metido por meio intra-venoso mas lá foi entrando.
Batalha difícil no meio de tantas outras, estes druidas são danados.
Com o tempo como melhor conselheiro, as chaves voltarão para a mão do alopécio.
Quanto à ajudante, 35 anos de camionagem a esperam e os druidas não estarão sempre lá.
Ou estarão?